Para alguns momentos da vida, bem que a idade não deveria controlar a emoção ou inibir alguns sentimentos.

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Se fosse assim, estaria a emoção pela vitória (2×1) do Atlético em Montevidéu sendo exteriorizada de outra forma. Com lágrimas, talvez.

A grandeza da vitória não pode ser encerrada só com a lembrança da exibição (esse é o termo) do Atlético. É preciso a ela associar as circunstâncias em que ocorreu: primeiro, foi em Montevidéu, território sempre minado para os brasileiros pela mística do ?maracanazzo?; segundo, foi contra o Nacional, cuja história tem um capítulo para três títulos de Libertadores,

e outro capítulo, para dois títulos mundiais; e terceiro, que não é necessariamente a último, foi vitória de virada, em razão das virtudes, e não da ocasião.

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Associe todas essas circunstâncias ao jogo em si, para dar um adjetivo à exibição do Atlético. Não se encontra outro: exibição suprema.

A vitória em nenhum momento ficou atrelada ao inesperado, depois que sofreu o gol do Nacional. É que no primeiro tempo, a supremacia já tinha sido imposta. Contrariando as suas características atuais, trocou o contra-ataque em velocidade, para um jogo picotado, quase em cadência de usar o contra-ataque. Fez um jogo cadenciado em razão do agrupamento dos jogadores a partir do meio-de-campo.

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No segundo tempo, e em especial depois que Vadão trocou os exaustos Rink, Dênis Marques e Ferreira por Válber, Pedro Oldoni e Marcos Aurélio, a exibição se tornou, então, suprema. E mesmo com dez, em razão da expulsão de Válber.

Não acredito que só a estrela de Vadão ao mudar, ou a de Pedro Oldoni e Marcos Aurélio ao marcar, é que resolveram. Um técnico não troca em fornada como Vadão trocou, principalmente porque a reversão na Arena de um gol era possível e provável.

O fez porque teve a lucidez que se exigia do treinador no momento. O gol de Oldoni foi resultado de o menino atender o princípio fundamental para o atacante: chutar. E Marcos Aurélio nada mais fez do que anda fazendo.

Não existe exibição suprema da sorte, mas de virtudes.

De primeira

Para os mais jovens: Maracanazzo. É assim que os uruguaios chamam a vitória do Uruguai sobre o Brasil na final a Copa do Mundo de 1950, no dia 16 de julho. Para eles a grandeza da vitória foi na proporção do tamanho do estádio, que na época comportava duzentas mil pessoas. No Uruguai, adotou-se o termo como sinônimo de uma coisa grandiosa.

Qualquer criança conhece a história do ?Maracanazzo?.