Como a “Damas das Camélias”, de Dumas, o treinador Miguel Angel Portugal vai morrer no quinto ato. Já está se tornando um clamor popular que o Atlético mande-o embora como a solução para o mau futebol do time.
Engana-se a torcida. Mandar o espanhol embora pode diminuir, mas não acaba com o problema. Angel nada mais é do que mais um elemento da maquina de negócios, que atende que não são necessariamente os do Furacão. Angel não é técnico, é empresário de futebol. É o ponta de lança para futuros negócios na Espanha e Portugal. Como ele, Petkovic usa o cargo de técnico como pretexto de sua inclusão nos futuros negócios, porque sua profissão é de agenciador de eventos, em especial, de tênis. Tem encomendado negócios futuros para o leste europeu.
Mas essa máquina não é recente. Foi ela quem já havia produzido Zezinho, Botelho, Fran Mérida, Mosquito, Dráusio, e agora produz Natanael, Mirabaje, Bruno Mendes e outros que só Deus sabe que estão no CT do Caju. Para se ter uma ideia definitiva de que se trata de uma máquina irresistível de interesses, o menino Nathan, a maior revelação do clube, por não aceitar prorrogar o seu contrato, picotando os direitos do seu vinculo, foi rebaixado para a sub-23. Escolhe camisa num meio-campo que tem João Paulo, Deivid e Fran Mérida.
Não discuto essa filosofia por não ser exclusiva do Atlético. Há tempo, as relações no futebol foram prostituídas. Por isso, a torcida poderia absorver essa “proposta ética”, se os interesses do clube fossem preservados, que é ter um time que renda no mínimo ilusão. O argumento de que a construção da Baixada absorve todos os recursos já não convence, porque havia um time já formado, comandado por uma comissão técnica brilhante e foi desmontado.
Tudo é razoável no Atlético por conta da construção da Baixada.
Só que depois tudo continuará razoável.
O Furacão grande no campo parece que não interessa para essa máquina.