A ética protestante criou entre os americanos o mito da busca da verdade. Espalhou-se por boa parte do mundo. Por ela, mentir e ofender satisfazendo aos repentes do mentiroso e ofensor, não é apenas um desvio moral que passa impune. Por isso, a queda de Nixon. Daí o sombrio futuro de Bush.
Recordemos. Em maio que passou, Mário Celso Petraglia saiu da toca, convocou a crônica (rádio) e generalizando, a detonou: coxa branca como sinônimo de parcial, e provinciana de analfabeta, foi o que de mais agradável falou.
Agora, segunda-feira que passou, alguns radialistas dessa mesma crônica, atenderam ao convite de Petraglia para ir jantar. Autorizados pelo anfitrião para falar o que pensavam, falaram. Supõe-se, então, que se Petraglia não autorizasse, não se sentiriam a vontade. Saíram todos satisfeitos e orgulhosos, como se tivessem comido o manjar dos deuses. E no dia seguinte comentaram: Viram? Falei isso e aquilo. Entre quatro paredes, às escondidas, qualquer coisa é possível fazer.
Será que algum convidado perguntou quanto o Atlético gastou para contratar e dispensar Baloy, Marín, Maciel, Badé e todos os outros que já foram embora ou estão de saída? Quanto que o Atlético gastou para contratar três técnicos e três preparadores físicos em cinco meses? Será que alguém perguntou se esses gastos não são um exemplo de má gestão do dinheiro da instituição?
Contemporânea e surpreendente foi a conciliação com os torcedores e confrarias, que o chamavam de ?ladrão? na arquibancada e faziam abaixo assinado para incentivar o ?Fora Petraglia?, movimentos contra os quais fui o único expressamente a se opor. O objetivo era neutralizar uma das únicas resistências.
Os inimigos dizem que Petraglia é tudo um pouco. Não é verdade. Bobo não é. Continua desprezando toda a crônica e a imprensa. Continua incentivando o fim das torcidas organizadas e das confrarias, para criar fãs-clube que nada mais serão do que torcedores direta ou indiretamente remunerados.
Quando os objetivos forem alcançados, as pessoas e a paixão já exaustas pelo uso, a crônica voltará a ser ?coxa e provinciana?, e a torcida voltará a ser um bando.
Em tempo: o jantar do Hotel Rayon foi exclusivo para alguns radialistas. Ressalvo que Carneiro e Remi Tissot, ofendidos na coletiva, ignoravam e ignoraram o encontro.