Minhas manhãs de domingo eram como a de um brasileiro normal. Tinham duas coisas sagradas: ir à missa rezar na paróquia do bairro e ver e torcer para Ayrton Senna ganhar na Fórmula 1. Se era pecado dar preferência para Senna, todos os brasileiros foram pecadores: Deus poderia esperar.

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Mas, daí, em 1º de maio de 1994, a Tamburello, de Ímola, egoísta e traiçoeira, querendo Senna só para si, levou-o embora. Sem Senna, minhas manhãs de domingo nunca mais foram as mesmas.

Agora, num dos raros momentos de lucidez do comando do futebol brasileiro, as manhãs de domingo já não são tão vazias. No lugar de Senna, está o time de futebol do coração de cada brasileiro. Provoca um sentimento mais forte por nascer com cada um de nós, crescer como um valor de vida e seguir eterno. Não há Tamburello capaz de matá-lo.

Domingo, às 11 da manhã, depois do Pai Nosso, vou ver o Furacão jogar contra o Palmeiras, no Parque Antartica. Tenho lá minhas ilusões, mas não muitas. O Palmeiras, de Marcelo Oliveira, não é nenhum time de Santa Catarina contra os quais o Atlético ganhou 12 dos 25 pontos que tem. Mas é um jogo em que o Furacão pode se dar bem. É daqueles jogos em que todos são conscientes de que as circunstâncias especificas (campo, time e torcida) criam a tendência de vitória para um, no caso o Palmeiras. Esse fato diminui a responsabilidade do outro, a do Atlético. Sem essa carga, jogando bem como anda jogando, o Furacão pode surpreender.

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Confesso que estou curioso de ver esse menino Crysan, outra vez. Estou começando a desconfiar que com ele o time fica mais inteiro do que com Walter. Com Crysan o esquema depende de onze e não de um, mesmo que seja em momentos eventuais do jogo.   
Mas para tudo é preciso ter fé. Então rezemos na missa das 9.

Obrigação

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Enquanto não sair da zona de queda, o Coritiba levará a sua crise para dentro de campo. Nessa situação já há uma disposição do torcedor em ser intransigente com o erro. O empate com o Corinthians só foi importante sob o aspecto moral, e assim mesmo para Ney Franco, os jogadores e os dirigentes. Para a torcida o ponto ganho foi uma perda, pois onde está, um ponto pouco soma.

No domingo pela manhã, os coxas precisam ganhar do Goiás, no Couto Pereira. Mas não basta ir à missa das 9. É preciso que assistam o jogo e torçam fazendo penitência.