O Atlético foi tão superior ao São Paulo, que nem precisou molhar a camisa para ganhar e disparar na vice. Foi tão grandioso o seu futebol, que reduziu o São Paulo à insignificância. A consequência desse estado de superioridade foi sentido na natureza dos números finais do jogo. O fato extraordinário, que é um placar de 3 x 0, foi transformado em um fato absolutamente natural. Não se trata de garbo, nem de imposição passional: o Furacão humilhou o tricolor paulista. Nos minutos finais, quando se impôs pela condição física, deixou-o pálido, exaurido, pequenininho, quase sem expressão.
Não se trata de arrogância, mas para tudo isso não precisou muito. Bastou entrar em campo com o senso de superioridade, que nada mais é que se julgar melhor. No futebol, essa consciência de ser melhor, exposta com seriedade, é importante. Com a autoridade do melhor, resolveu o jogo em 30 minutos do primeiro tempo: um golaço de Marcelo, e logo depois, de um de Luís Alberto. O terceiro de Éderson foi um daqueles gols que qualquer estagiário de futebol anteciparia.
O que equilibra o homem são suas manias e hábitos. Com um time de futebol não é diferente. Pelo menos se esse time é o Furacão de Mancini, que se equilibra no hábito mais saudável do futebol, que é o jogo sério, em que todos os jogadores se transformam em estrelas em razão da solidariedade que nasce da renúncia individual.
E Marcelo foi o melhor em campo. Variando por todos os setores, levou à loucura a defesa comandada por Rogério Ceni. Há uma outra coisa que eu queria escrever. Desculpe, perguntar: há algum lateral direito melhor que o menino Léo jogando no futebol brasileiro?
O Atlético foi um luxo só.