Luta

Há pavor entre os governantes, desespero na classe política. É que o povo descobriu a alma do esquema: os benefícios sociais que teriam reduzido a pobreza nada mais são que disfarces para desviar a atenção do estado corrupto que se instalou no Brasil. Há quem, ainda, censure essas reações populares por coincidirem com a festa popular do futebol que é a Copa das Confederações. Ignoram que a essência de uma luta não está apenas na sua causa, mas no momento em que a luta ganha vida.

Dizem que o futebol não é o culpado da crise. Não era, mas agora é, por que passou a atuar como fonte reveladora do escancarado desvio de comportamento do poder estatal e de várias classes. Não há povo, que possa suportar em num período curto os desvios pelo Mensalão, pela Copa do Mundo e pelas Olimpíadas.

O que os políticos não gostam é que se remoam e revejam as suas culpas. Chamam a reação de baderna, os reacionários de baderneiros. E sob o pretexto de defesa do patrimônio público, mandam bater. Não se pode entender o uso da democracia para os fins propostos no Brasil. O povo teria mesmo que reagir, tinha o direito de reagir, tinha obrigação de reagir.

O alemão Rudolf Von Ihering escreveu “A Luta pelo Direito” para os operadores do Direito, mas todos os leigos deveriam ler. Aprenderão a lição, que no Direito o ser humano é detentor e defensor da sua condição de existência moral. Sem isso, o ser humano tomba no nível de animal.

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