Na Vila Capanema, Atlético 2 x Botafogo 0.
Há momentos na vida, por serem tão comoventes, não precisam de explicação. Talvez, nem a tenha. São tão fortes, deixam marcas tão profundas, que transformadas em lembranças são cravadas em nossas memórias como eternas.
Essa vitória do Atlético sobre o Botafogo é um desses momentos. Pobre de mim, que não sei escrever bem. Fosse eu um Leminski e soubesse explicar o êxtase que provocou o lirismo desta vitória, a escreveria em forma de versos, compondo um poema.
Não foi uma vitória qualquer, não foi num dado momento qualquer, não foi contra um adversário qualquer. Foi pelo Campeonato Brasileiro, contra o líder Botafogo, e por dois a zero. E não se consegue isso de graça. É preciso ir além dos limites humanos e ser perfeito. Eis a expressão para chegar a verdade: o Furacão, tal como o Davi, de Da Vinci, foi perfeito. E para sê-lo, carregou-se da virtude maior que um time pode ter, que é o equilíbrio. E, aí, entra o técnico Mancini, cuja vinda praguejei, e ao qual peço desculpas. De joelhos, com Santo Antônio de testemunha, se precisar. Inteligente e corajoso trocou Zezinho, um dos seus melhores, por João Paulo. Ocupou os espaços por onde Seedorf poderia jogar, esvaziando o Botafogo. Abriu Dellatorre e Everton pelos lados para chegar ao gol.
A supremacia do Atlético já era para aparecer nos gols perdidos no primeiro tempo. Mas no segundo foram inevitáveis, com o improvável Dellatorre correndo pelos lados e com Everton desmontando a zaga carioca. Fez duas jogadas para os dois gols de Éderson, agora artilheiro do campeonato. A vaga no G4 se tornou coisa pequena diante da grandiosidade do momento.
Quando há unidade como razão de uma vitória, não há o melhor, há um destaque, que é o detalhe principal, o gol: Éderson.