Com alegria e saudades reencontro-me com um Atlético carregado de inesperadas extravagâncias: soberbo, desprezando que suas virtudes como qualquer outro bom time têm limites, jogou com o equívoco de que a sua vitória seria natural. Assim, inconsciente, abriu-se na defesa sem ter espaço para atacar. O Vitória escancarou as deficiências de uma defesa que reclama a proteção que Deivid e João Paulo não davam, e a cobertura que os fraquíssimos Jonas e Pedro Botelho desprezavam. Embora surpreendente, os 3 x 0 para o time de Ney Franco acabaram sendo uma consequência lógica do jogo.
Mancini demorou 30 minutos para ver que Jonas é limitado, substituindo-o por Roger. Demorou 45 minutos para concluir que Pedro Botelho é um lateral sem recursos, substituindo-o por Zezinho. Sem o equívoco da soberba, o Atlético readquiriu a normalidade. Prensou o Vitória e foi despejando gol com Ederson (2) e Roger. Quando a vitória do Furacão seria a consequência, viu-se a importância do bom técnico. Ney Franco colocou no ataque, o menino de nome William Henrique, que na imprudência dos avanços de Manoel e Luiz Alberto, fez o quarto e deu o quinto para Ayrton marcar. E aí o Furacão não teve mais tempo e nem força para voltar a reagir.
O Atlético perdeu o jogo, mas não perdeu o lugar. E, ainda, ganhou a lição de que jogando na Vila Capanema, também, é capaz de perder.
Rotina
Quando a derrota passa a ser rotina, não faltam motivos para explicá-la. Sabia-se que o Coritiba tinha um time com limites técnicos. Sabia-se que a dependência de Alex não poderia ser adotada como absoluta. O que não se sabia, foi o que se viu na goleada para o Náutico: um time omisso, transigente com o erro, e sem vontade de se superar.