A indisposição dos deputados em votar a Lei de Responsabilidade Fiscal do Futebol, que estava sendo imposta pelos clubes, prova o descrédito moral da figura do dirigente do futebol brasileiro. Quando a classe política fica insensível para uma causa é sinal de que essa causa tem mais vícios que se imaginava.

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A proposta dos clubes perdeu a legitimidade moral quando o presidente do Botafogo, Mauricio Assunção, confessou na ESPN Brasil que há oito meses não paga os tributos, de propósito, porque sabia que a lei seria aprovada como os clubes propunham. Não há mais ambiente político para que o governo Dilma mantenha o projeto de lei que os clubes negociaram.

Os jogadores saíram vitoriosos de Brasilia. E para o levante (crescer contra um interesse) nem precisaram agir escondidos, muito menos prometer ajuda de campanha. Mostrando que o projeto dos clubes escondia intenções não necessariamente corretas, e que as suas propostas protegem o futebol brasileiro, Alex e seus companheiros derrotaram Vilson Ribeiro de Andrade e companhia.               

E, agora, entra em cena o grandioso senador Álvaro Dias. Relator da lei no Senado, já avisou que nada será aprovado sem que o dirigente seja responsabilizado pessoalmente por excesso de mandato, qualquer que seja a natureza da divida. E essa responsabilidade será disposta como a adotada no Código Civil, que trata das sociedades limitadas, que alcança por dois anos o sócio retirante. E que a partir da lei, os clubes terão que provar a quitação de todos os contratos de trabalhos da temporada antecedente.

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Classe honesta

Os jogadores provam que constituem a classe mais honesta no futebol. Ao exigirem a prova da quitação dos contratos de trabalho contrariam os seus próprios interesses. É que o dirigente, com receio da responsabilização pessoal, irá ser mais racional em contratações, ordenando os gastos na proporção do faturamento do clube.

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