Era madrugada e o sono não chegava.  É que por dentro havia conflitos de sentimentos: não sabia se ficava alegre ou triste com a vitória do Atlético sobre o poderoso Corinthians por três a dois, quando ganhava de três a zero até o finalzinho do jogo.  Comecei a lembrar que uma derrota de um a zero, no Pacaembu, absolutamente lógica e normal,  irá eliminar o Atlético.

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Mas aí bato em uma passagem do notável “Leite derramado”,  de Chico Buarque,  quando o velhinho,  o personagem do monológo,       lamenta que Matilde,  sua mulher vai sumir de sua vida.  E,  Maltide,  no entanto,  ainda está lá,  ao seu lado.  Reclamando de si próprio, disse:  “ É esquisito ter lembranças de coisas que ainda não aconteceram.”

Perguntei-me: por que então, ficaria triste em lembrar uma  derrota no Pacaembu,  que ainda não aconteceu?   E se não acontecer.

Fiquei feliz com a portentosa vitória do Atlético.  E dormi.

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Final

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Ouvi Geninho dizer que se o Atlético jogar contra o Cianorte o que jogou contra o Corinthians, terá uma grande chance de ser campeão paranaense.

Exigente demais o técnico.  O Atlético jogou tanto que surpreendeu,  jogou tanto que mereceu desqualificar de invicto o Timão;  foi irrepreensível taticamente,  que parecia nem ser ele próprio.  Tinha um craque que esconderam,  Wallyson.  

Por isso não precisa tanto.  Basta jogar dez por cento do que jogou,  será o campeão. Dez por cento é percentual extraordinário para estava zerado.