Foi uma 6.ª feira de léguas caminhadas. E por toda a sua extensão, várias paradas para uma única pergunta: ?vamos ganhar hoje?? À certa altura já confuso, já não sabendo mais se respondia que sim, pensei comigo: ?E se eu responder que não??

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Foram tantas as léguas caminhadas na vida que aprendi que em conversa de rua ou de corredores, não se pode negar o mínimo de ilusão ao torcedor. E respondi: ?Ganharemos!?.

Não é que eu tenha a convicção de que o Atlético ganha hoje na Vila do trepidante Paraná. E nem poderia tê-la em razão dos números: o Atlético está atrás do Paraná há um ano e meio. Mas o jornalista no fundo é um torcedor. Responde para dar otimismo ao torcedor, também com outro objetivo: quer convencer a si próprio de que ?ganharemos?.

Paro na caminhada de paixão, e trato com frieza do grande jogo. E eis a grande verdade: nesses últimos tempos, nunca o Atlético teve as condições tão favoráveis para ganhar do Paraná, como no jogo de hoje.

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Veja só o leitor. O Atlético voltou a ser um time com Antônio Lopes, pois de cara, passou a ter coragem. Antes era deformado pela ausência de time e pela inércia da alma. O Paraná é vice-líder pelos pontos ganhos com Zetti, pois com Pintado o pouco que ganhou, foi sem convencimento. A última imagem que tenho do Paraná na Vila, é a da vitória sobre o Sport, então lanterna, 1 a 0. Jogo sofrível, em que a vitória tricolor foi garantida por um erro da arbitragem. Talvez a insegurança, seja pela transição, porque Zetti e Pintado pensam diferentes. Seja qual for a razão, existe.

Concordará o leitor, mas dirá: ?O jogo é na Vila, e toda a torcida tricolor irá?. Eis uma outra grande verdade: o jogo sendo na Vila cria naturalmente um ambiente de exigência para o Paraná por ser um jogo de times da cidade. É a responsabilidade do mando, que em estádios como a Vila Capanema e a Baixada, exerce sobre o time da casa. Às vezes, em especial em grandes jogos. E, às vezes, negativamente.

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Mas se em tese o Atlético pode ser otimista, na prática não. Existe um terceiro elemento, que atende pelo nome de Heber Roberto Lopes, que foi sugerido pelo diretor Afonso de Oliveira, diretor da FPF. Não discuto o que o leva a erros primários, embora as coincidências já exijam certa cautela.

É árbitro de confiança da FPF e da CBF. Desta, basta ver o número de jogos que Heber apita de times cariocas. Árbitro de confiança de uma entidade de administração, não significa necessariamente que seja bom ou sério.