A Holanda fez 5×1, mas não humilhou a Espanha. Deu-lhe apenas uma lição de humildade, devolvendo-lhe a consciência de que geração de Casillas, Piquet, Iniesta, Xabi Alonso e Xavi está com o prazo vencido. Quem sabe da história, em especial da minha geração, e mesmo as novas através de replay, à certa altura do jogo, da forma como saiu o terceiro gol, foi impossível evitar comparações com 1974. Estivesse vestida de laranja e não de azul, essa Holanda, de Salvador, iria fazer um baralho com as lembranças. Parecia que ali na Fonte Nova, estava a “Laranja Mecânica”, ou o “Carrossel Holandês”, o time imortal criado por Rinus Michels à partir da base que ele próprio revelou no Ajax, comandado por Johan Cruyff, e que tinha mais Krol, Neesken, Rensenbrink, Johnny Rep.
E não se tema fazer comparações imediatas. Robben, Sneijder, Van Persie carregam todos os atributos daqueles ídolos, e mais as virtudes que o futebol moderno lhe deram. O terceiro gol foi uma reunião de tudo: a bola ganha pela luta, o passe inteligente nas costas de Sergio Ramos, e surgindo Van Persi com inteligência e talento para fazer do gol um simples capricho. Essa Holanda de Van Gaal não surpreendeu apenas a Espanha, mas o mundo. E não foi porque surrou a campeã,, mas porque jogou como se tivesse devolvendo para os campos o futebol total, que nada mais é do que a ocupação de espaços sem a convenção de fixar-se em posições previamente estabelecidas.
Agora todos irão procurar sobre os motivos que levaram a Espanha a tomar essa surra. Talvez, a resposta não seja tão complexa e por isso não esteja tão longe: “La Roja” já não está bem há muito tempo. A queda coincidiu com o ano sabático de Guardiola. O Barcelona que era a base de tudo na seleção, passou a degringolar. Grandes times surgem por ciclos de bons jogadores. E da Espanha está no fim. Se não tomar cuidado com o perigoso Chile, é capaz de Casillas livrar-se do frio de Curitiba que ele tanto reclama, e passar uma temporada no Rio de Janeiro.