O menino Rafhael Lucas fez um gol do Atlético e provocou nossos sentimentos: homenageou Dirceu Krüger, que está indo para meio século de Coritiba. Talvez, Rafhael não tenha a exata dimensão da nobreza do seu gesto. Minha geração de arquibancada era feliz e sabia: tinha Krüger para ver jogar. É fato: Sicupira era amado pelos atleticanos da Baixada. Madureira era venerado pelos tricolores da Vila Capanema. Mas Krüger, ponta-de-lança dos coxas, era amado e venerado por todos: era ídolo em qualquer lugar.

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Não conheço na história do futebol paranaense um ídolo que provocava tantos sentimentos e tanto respeito, como Krüger. Era ídolo por inteiro: ficava acima de qualquer cor, ideologia ou paixão de arquibancada.

Como homem é esse que continua aí: irrepreensível.

Como jogador, foi craque. Mas craque dentro das restrições do conceito da época. Nas décadas de 60 e 70 para atender as exigências do conceito de craque, tinha que ser completo na função que exercia. O apelido de “Flecha Loira” é incompleto, pois pode sugerir a quem não o conheceu que as suas virtudes se limitavam a velocidade. Uma fartura de virtudes, Krüger era completo: era inteligente para criar e ocupar espaços; talentoso para driblar em um pedaço de campo ou em velocidade. E na área, era fatal: gol dos coxas.

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Krüger me fez chorar duas vezes na vida.

A primeira, em abril de 1970, quando vítima da violência do goleiro Leopoldo, do Água Verde, teve rompida a alça intestinal. Depois de receber a extrema-unção, e quando todos já rezavam por sua alma, voltou a viver. E, aí, um pouco depois, me fez chorar pela segunda vez: em 1972, bem no começo do jogo, no gol da Igreja, surgiu na área do Atlético, entre Di e Alfredo, e fulminou Picasso, o goleiro. Fez o único gol, dos dois Atletibas, e que acabou dando o título aos coxas.

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Krüger é uma prova que Deus existe.

Dúvida

Certo dia, vindo para casa, um taxista me disse que o seu sonho era eu escrever uma coluna sobre seu filho, que jogava nos coxas. Não me lembro do seu nome. Procurei o seu cartãozinho e não o encontrei. Estou desconfiado que esse taxista é o pai desse menino Rafhael Lucas. Como vou saber?

De primeira

Amanhã, sexta-feira, não poderei escrever. Voltarei na segunda respondendo uma questão provocada por muitos torcedores do Furacão: porque eu escrevo mais de Petraglia do que do Atlético?