Se, entre os sonhos do Atlético Paranaense não tivesse voltar à Libertadores da América, bem que poderia empurrar toda a responsabilidade do Atletiba, para o Coritiba. Dito em um resumo clássico: o Furacão não teria o que perder no clássico do Couto Pereira. Ocorre que prometendo muito e retribuindo pouco, já não tem mais o direito de limitar-se a sonhos. O momento da sua história reclama e exige uma posição definitiva, com uma resposta conclusiva: o que quer ser na vida o Furacão? Não há mais lugar para sonhos dentro do Atlético. Por todas as circunstâncias, em especial, o seu crescimento patrimonial e gerencial, e a queda dos grandes centros, é uma obrigação alcançar e manter-se em um estágio superior dentro do futebol brasileiro. Bem por isso, já não podendo mais olhar para baixo com medo de cair, obriga-se a olhar para cima com a ambição de enquadrar-se, como regra, entre os maiores.
Por aprender na vida que nada ocorre por acaso, nunca fui e não serei sócio do imponderável. A tese de que em Atletiba tudo pode ocorrer é mentirosa. A história de fatos e de números é que cria regras. E a regra que criou para o jogo entre coxas e cartolas, sugere a vitória daquele que está em superioridade. A exceção, que tem características de surpresa com a vitória do time inferior, é originada pelo jogo em si e não pelo acaso.
Quero dizer, que todas as circunstâncias determinam favoritismo ao Atlético: o time jogando melhor, seu técnico é e será Autuori, independente do resultado, não joga pressionado pela zona do rebaixamento, uma derrota não irá alterar a sua rotina, e é o time que tem a obrigação técnica de ganhar. Ao contrário, o Coritiba vai para um jogo que a literatura de arquibancada ensina como sendo aquele de “derrubar presidente”.
Quando o professor Otacílio Gonçalves, há 20 anos atrás, usou pela primeira vez a expressão “jogo jogado”, não sabia que estava criando uma literatura definitiva preciosa para o futebol. Jogo jogado (agora, sem aspas) é como será o Atletiba de hoje: de um lado, há um favorito por estar jogando mais e por estar tranquilo, e de outro, um desesperado, que se obriga a se agarrar na história e na camisa para buscar o equilíbrio que a técnica não lhe autoriza.
E, aí, o Atletiba passa ser jogo jogado.