Treino é treino e jogo é jogo, disse Didi do Botafogo. Essa verdade, dita há mais de meio século, é daquelas que, de tão puras, nunca envelhece.

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O Athletico treinou e treinou desde janeiro. O seu limite foram jogos amistosos, desprezando que o caráter já está no nome: amistoso não tem espirito de competição – e, por isso, cria mesmo que involuntariamente a falta de comprometimento com o acerto, relevando-se os erros.

O Furacão que só treinava, ontem teve que jogar: em Ibagué (Colômbia) contra o Tolima, pela Libertadores. Resultado: Tolima 1×0.

Sem ritmo para um jogo batido, cavado, marcado e corrido, submeteu-se ao fraco time colombiano. Sofreu o gol de Banguero no primeiro tempo, em falhas de Tiago Heleno e do goleiro Santos, e não teve recursos para empatar.

A derrota poderia até ser moldada como natural por circunstâncias de um jogo de Libertadores. Mas essa derrota acabou não sendo natural, por ter sido produzida só pelos defeitos do Furacão para um adversário sem nenhuma virtude.

A análise ampla dessa derrota exige uma revisita ao final de 2018. O Athletico não ganhou a Sul Americana porque tinha um time de bons jogadores. Ganhou porque tinha um time bem estruturado, bem comandando e dotado do espírito de competir. Manteve a base do time, mas deixou-a inativa, só treinando. A consequência foi essa: um time de qualidade reduzida, que só treina, acha estranho um jogo, vejam só.

Se os rubro-negros procuram um consolo, pode encontrá-lo nas ausências de Jonathan e, em especial, Lucho González. Jogar com Zé Ivaldo na lateral-direita e Camacho no meio não incentiva ter esperanças.

Sob o aspecto individual não se pode analisar o Furacão. O time que joga com base no conjunto, por jogar pela primeira vez nesse ano, foi desorganizado como há muito tempo não se via. E quando isso acontece, não se salva ninguém.  Nem parecia um time comandado por Tiago Nunes.

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