Nos meus tempos de inocência, eu acreditava em sonhos. E por isso sonhava, para nos sonhos poder mudar o rumo de uma história.
Em 1972, o Atlético tinha um time de encantos: Picasso, Cláudio Deodato, Di, Alfredo Gottardi e Júlio, Sérgio Lopes, Valtinho e Sicupira, Buião, Ademir Rodrigues (Tião Kelé) e Nilson Borges. Jogando por dois resultados iguais, era o favorito na “melhor de três” contra o Coritiba. Os coxas tinham um time de fábulas, mas vindo de uma excursão à Europa, estava estropiado. No primeiro jogo, logo aos seis minutos, Krüger apareceu com uma flecha pelo meio e fez Coritiba 1 x 0. E depois, o Atlético correu, jogou, dominou e perdeu gols.

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Veio o segundo jogo, e lá estava o Furacão: correndo, jogando, dominando, atrás de um mísero gol. Atrás do gol dos coxas como repórter, esperei pela última bola que vinha de um escanteio. olhei para o lateral Hermes, junto ao poste direito do gol da igreja e lhe disse: agora vocês tomam o gol. Essa última bola sobrou para Alfredo Gottardi na grande área, que chutou com a alma. Depois de tantos anos penso, que se o filho de Caju tivesse chutado com o pé direito teria marcado. Essa bola bateu na trave, disse adeus e foi embora. Nunca mais foi vista em um campo de futebol. Chorando no microfone, vi os coxas campeões.

Inocente, ainda, me restava sonhar. E me entreguei a sonhar tanto, que comecei acreditar que pudesse baixar um centímetro a altura, da bola chutada por Alfredo. No sonho, conseguia: a bola passava por Jairo e pelo lateral Nilo, que sempre estava guardando o lado esquerdo, e estufava a rede dos coxas. E era um sonho tão bem sonhado, que no final aparecia Sérgio Lopes, o capitão atleticano levantando a taça de campeão.

Acordado, era maltrado com os fatos reais.

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Mas inocente, esperava a noite para voltar a sonhar.

Só não me lembro se em sonhos, tenha conseguido virar para o Furacão um placar de 3×0.

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