Jogo do poder

Só ontem tomei conhecimento do informe publicitário, pago por Mário Celso Petraglia, com o objetivo de alcançar os conselheiros do Atlético. É sagrado o direito de Petraglia, e de qualquer torcedor, noticiar as suas preocupações com o seu clube de coração. Mas entre o direito e a razão, há o infinito. E não basta ter o direito, por que o exercício desse, sem a razão, torna-se arbitrário. E Petráglia não tem a razão a sustentar o seu direito.

A sua carta adota uma linha genérica, usando como fundamento único e final a sua capacidade de jogar o “jogo do poder”, como se fosse o único atleticano da Terra. Mas o que significa o “jogo do poder”? O que é preciso para jogá-lo? O informe publicitário não explica.

Para tratar com a Rede Globo não precisa ser um negociador formado em Pescara ou com mestrado na Sicília. A cessão dos direitos foi negociada pelo presidente Malucelli, sem traumas, com valor bem além do que se presume ou especula, e que se concilia com os interesses do Atlético.

O processo para adaptar a Arena da Baixada para a Copa do Mundo já está finalizado. E ninguém faria ou fará melhor para o Atlético do que Enio Fornea Júnior. Em relações perigosas como essas, o idealismo de Enio ainda é mais importante do que o profissionalismo de qualquer jogador. O idealismo protege; o profissionalismo, subtrai.

A administração é soberba. O Atlético, nos últimos dois anos, limpou seu cadastro, não havendo um único titulo protestado. Não comprometeu o futuro com adiantamento de receitas, e fez com que o déficit de 18 milhões de reais deixado pela administração do próprio Petraglia se transformasse num superávit de 6,2 milhões de reais. Para cumprir a sua obrigação no compromisso da Baixada para a Copa, já desembolsou 17 milhões de reais.

Perguntarão: Petraglia não tem razão sobre o fracasso do futebol? Qualquer torcedor tem o direito e tem a razão de reclamar. Desde que não seja Petraglia. O que acontece agora nada mais é do que a continuidade das mazelas de técnicos e jogadores, da falta de comando no futebol, desde 2004, quando o clube passou a ser humilhado na Copa do Brasil por Volta Redonda e Corinthians Alagoense, e sempre lutou para não ser rebaixado, além de ter fracassado nos estaduais.

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