Nunca escondi minhas diferenças com Mário Celso Petraglia. As diferenças foram para o plano formal: respondo a dois processos em que ele me acusa de ter ofendido a sua honra. Não transigi, não o procurei para acordos. Não o vejo, e desde maio de 2002 não conversamos. E quero dizer que não sinto saudades. Cada um do seu lado parece ser melhor para os dois. Talvez.
Por isso, e porque Mário Celso é uma presa fácil para críticas em razão da sua personalidade, seria fácil fazer sofisma, dar conclusões em entrelinhas, para enfim colocar em dúvida se é verdade o que Moura fala do senhor atleticano. Por não ser justo, é desonesto. Lendo certa vez o professor Roberto Pompeu de Toledo, o fabuloso ensaísta da última página da Veja, aprendi que o jornalista torna-se grande quando se afasta de questões pessoais para analisar um fato.
Então, aos fatos.
Quando não se tem mais nada a perder, quando já se perdeu a própria dignidade, só tem a ganhar. É então, quando a palavra se torna a arma mais poderosa. Trânsito para crimes, instrumento para transformar mentiras em dúvidas de verdade.
É o que Moura está tentando fazer com Mário Celso Petraglia. Nada mais tendo a perder, manipula a mentira contra o dirigente atleticano.
Não defendo Mário Celso em razão de que Moura não tem nenhum prestígio para falar de alguém. Mas porque conheço a transparência com que o dirigente atleticano trata das coisas do Atlético com os atleticanos.
O silêncio de Mário não compromete. O professor de filosofia de Cambridge, Simon Blackburn (Folha de S. Paulo de 3/9/2006), ensina, no ?Jogo da Verdade?, que um contador e fazedor de verdades freqüentemente está em desvantagem do manipulador e do mentiroso.