O Vitória da Bahia, até 2010, estava na Primeira Divisão. O técnico do rebaixamento foi Antonio Lopes. O América Mineiro literalmente tornou-se um time pequeno. No entanto, não se constrangeu e se fez de grande ao demitir Antonio Lopes antes que o treinador completasse um mês de contrato: quatro jogos, dois empates e duas derrotas, e o motivo definitivo para estar na lanterna do campeonato.
Um erro não justifica o outro. Ouvi de uma pessoa influente do Atlético, ao lhe perguntar qual a razão para Paulo Césa Carpegiani – ou outro treinador capaz – não ter sido contratado. O erro em questão era continuar tendo com esse outro o mesmo ônus financeiro que vinha tendo com Renato Gaúcho. O argumento estaria bem posto se o Atlético não fosse dirigido por “filhos pródigos”, que o fazem gastar 7 milhões de reais em um atacante que não faz gols e trazem um treinador de notório comportamento irresponsável, com salário irracional – fatos que aumentam a cada rodada a tendência de rebaixamento.
O Atlético não escolheu Antonio Lopes porque ele pode ser a solução. Das duas, uma: Malucelli e Ibiapina escolheram Lopes, porque, eventualmente, pode ser uma solução barata ou escolheram Lopes porque estão convencidos de que não há mais salvação. Por isso, tentam diminuir o custo do rebaixamento.
Lembrei do que o pensador atleticano Marcos Surugi de Siqueira escreveu no Agora Paraná, inspirado na variação da obra imortal de Chico Buarque “Vai passar”: “Enquanto a atual diretoria erra cegamente, Petraglia leva pedras feito penitente, erguendo estranhas catedrais.”
Na contratação de Lopes, colho uma esperança: a sua fé em Nossa Senhora, mesmo que nos últimos tempos ande em repouso.