Meu presidente,
Fui presidente do Atlético, o senhor deve saber. Iria construir tudo o que foi construído, mas em certo domingo nosso goleiro Muca falhou em Londrina, não sei se por bem ou por mal, e meu coração não aguentou. Quando eu encontro o Munir e lembro o fato, ele dá aquela sua risadinha medonha. Posso dizer que morri literalmente dentro de um estádio por causa do Atlético.
Mas meu presidente, escrevo para dizer que ando preocupado com o nosso Furacão. O senhor deve ler o jornalista Elio Gaspari, e conhece bem o seu personagem Eremildo, que dizem sido tirado das anedotas medievais.
Pois bem, meu presidente. O Eremildo é um idiota. E o senhor está cercado de Eremildos. Geninho, o nosso técnico, é um deles. Para justificar as suas bobagens, diz que “a Baixada passou a ser um problema para o Atlético”. Eremildo de 120 mil por mês.
Mas é no andar de cima que mora o perigo. O senhor deu poderes para contratar, liberou quase R$ 5 milhões (quanto custaram Guerrón e Nieto?) os homens trouxeram mais de 30 jogadores e não conseguiram formar a base para um time no mínimo decente.
O Evangelino, o “Chinês”, vive me perguntando ironicamente quem foram os “gênios” que contrataram Iván González, Eli Sabiá, Sílvio, Marcos Pimentel, Gabriel, Flávio, Alê, Wescley e Henan, e que mantêm Claiton, renovam por dois anos com Paulo Baier, renovaram com o técnico Sérgio Soares – até hoje desempregado – e contratam Geninho. Se não bastasse, viajaram “para todos os cantos do Brasil” e voltaram com Robtson e Adaílton.
Aliás, o “Chinês” anda feliz com esse tal de Vilson Ribeiro de Andrade, que não conheço e nem quero conhecê-lo. Diz que depois dele, será o maior dirigente na história dos Coxas.
Mas volto ao nosso clube, presidente.
O Pasquale, que chegou aqui um dia desses, me garante que o senhor é gente do bem. Mas não se deixe transformar em Eremildo, o idiota. E para fazer isso não precisa de muita coisa. Intervenha no futebol, afinal o senhor é o presidente e não precisa dar satisfação para ninguém, muito menos para quem não tem a grandeza de reconhecer o erro e pedir para sair. Destitua a comissão técnica, contrate Adílson Batista ou Caio Júnior, por que logo alguém os contratará, e limpe o elenco. Só assim salvará a si próprio, como salvou Petráglia em 2008.
Aliás, esqueça o Petraglia. Ele sempre adotou o princípio da guerrilha urbana: quanto pior, melhor. Nunca ele vai voltar. Com a nova Lei Pelé, acabou-se o uso de “laranja”.
Meu presidente se agarre nesse italiano, que está do seu lado, o Fornea, gente da melhor espécie. Não espere terminar o Campeonato Paranaense e a Copa do Brasil. Irá faltar tempo.
Siga os meus conselhos, bom Malucelli.
Meus respeitos
Jofre Cabral e Silva
P.S: o formato da crônica é copiado da criação de Elio Gaspari, o maior jornalista do Brasil.