O Atlético demitiu o treinador Ricardo Drubscky. Seria um fato de rotina em razão da cultura do futebol brasileiro e seria um fato necessário por força do seu fracasso nesse início de Brasileiro. Mas encerrar a análise da demissão de Drubscky pela cultura e pela necessidade é para quem teme enfrentar a verdade que se esconde no meio de ferros, cimento e tijolos.
A saída de Drubscky não é o fracasso do treinador. É a representação objetiva da irresponsabilidade, dos atos de comando do futebol do Atlético. Prestigiou-se um treinador sem capacitação técnica durante sete meses, porque ele se resignou em continuar dirigindo um time medíocre. O simples fato de Drubscky aceitar essa política já exigia a sua demissão em dezembro de 2012.
Um treinador que aceita as imposições da diretoria, em prejuízo dele e da torcida, não é confiável. Por isso, a irresponsabilidade dos atos decorre do abuso no exercício de comando. No caso, aproveitou-se da falta de capacidade pessoal e técnica do profissional para impor um projeto devastador no futebol do Furacão.
Mas a irresponsabilidade tem outra origem, e que é mais grave: é a transigência com a derrota, a indiferença com conquistas no campo. O futebol no Atlético está sendo adotado apenas como um item de um grande negócio. Pode ser em tese, o mais importante. Mas poderá não sê-lo, desde que um evento com o Rolling Stones dê mais lucro que um jogo de futebol. Está se preparando a torcida para esses novos tempos, não duvide.
Seja qual for a origem, dissimular durante seis meses com um discurso de modernidade é praticar a irresponsabilidade. E se não bastasse, a mudança de técnico pouco irá alterar. É que o Atlético tem um time de Segunda Divisão.