A irrelevância da vitória

Quando a derrota, mesmo que se incorpore como regra na vida de um clube, é seguida de uma manifestação do comando, é possível ter um alento. Podem até ser promessas repetidas. O torcedor pode não se render a elas, mas, pela paixão ao clube, no mínimo submete-se à ilusão de que as coisas tomarão outro rumo.

“Esperanças há muitas, mas não para nós”, é perfeita a frase de Kafka dita em passagem do filme “O jovem Kafka”, já pode ser adotada pelo sentimento dos atleticanos. E, não é pela derrota como rotina, embora maltrate. Não é, tampouco, pela intensa frequência na zona de rebaixamento, embora assuste e humilhe. Perder em sequência e passar um tempo na zona, todos passam, e o Furacão vem passando todos os anos.

A falta de esperanças é consequência da falta de sentimento do comando de Mário Celso Petraglia, que usa o cargo para exercer uma posse. A ausência de uma manifestação, mesmo sendo contrária ao pensamento do torcedor, escancara a frieza do tratamento que se dá ao Atlético, enquanto time de futebol. Nesse estágio de indiferença, ganhar ou perder, é fato irrelevante.

O mais grave é que esse estado está se projetando para o âmbito da torcida. Não porque ela não sente a derrota, mas por ter ganho a consciência definitiva de que sua força foi neutralizada e não há mais nada a fazer.

Pode ganhar ou perder para o São Paulo. Para o regime é irrelevante. E para a torcida? Se eu estou certo, é o fim.

Subindo

Na Vila Capanema, o Paraná voltou a vencer. Agora, ao Bahia, 1×0. Diferente da vitória sobre o Fluminense, quando jogou bem, ganhou dos baianos na superação, e pelas defesas do seu goleiro Thiago Rodrigues, o melhor em campo. O gol de Silvinho, na etapa final, foi de uma linha de passes. Gol bonito para uma vitória justa.

O Tricolor chegou aos 9 pontos ganhos. Não é nada, não é nada, alcançou o Atlético Paranaense. Então, não é nada: os dois estão na zona do rebaixamento.

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