Ironia cara

Desta vez, não se pode dizer que “foi criação da imprensa da aldeia”. Desta vez, é Jèrôme Valcke, dono da Copa do Mundo, que coloca dúvida sobre a realização da Copa do Mundo em Curitiba, em razão “das imensas dificuldades para terminar a Arena”. O diagnóstico é grave, amenizá-lo com argumentos genéricos não resolve, ao contrário, piora. Beto Richa, o governador, está sendo o grande responsável por essa situação. Não errou só por se esconder, deixando-se fazer representado por assessores sem expressão e sem poder de decisão.

Esta crise avolumou-se agora, e com intensidade, por que Beto Richa, na histórica reunião de janeiro de 2012, no Palácio Iguaçu, concordou com a concessão de Taniguchi para Petráglia: “Vá tocando a obra à sua maneira.”

Taniguchi sabia e acertou, por ser Petraglia um amigo de velhas jornadas, a maneira com que o gestor da Baixada faz as coisas quando o dinheiro vem de fonte que não lhe sacrifica pessoalmente: gastar sem ter limites. O que era para ser uma simples reforma por 186 milhões de reais foi para 236 milhões, por ser erguido um novo estádio. Agora, deu um salto para 320 milhões. Na proporção que cresce, porque “a maneira de Petraglia” não vai mudar, e já sendo certo que só poderá ser entregue em maio de 2014, a obra corre o risco de bater nos 400 milhões de reais.

O PT montou a armadilha mandando a Copa para Curitiba, e Beto Richa está quase sendo pego. A não realização da Copa do Mundo em Curitiba mata politicamente Beto Richa. Não só por não resolver os problemas, mas por tê-los criado, levando a sério a ironia de Taniguchi. Agora sabe que “construir à maneira de Petraglia” dá nisso.

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