Inusitado

No Couto Pereira, Coritiba 1×0 Atlético.

Foi daqueles Atletibas, que um fato inusitado interveio no ânimo do jogo, decidiu e vai isola-lo na história. O fato atende pelo nome Kazim, um inglês que gosta de ser turco, e que vagando pelo mundo sem ter para onde ir, foi acabar no Couto Pereira. Ele fez o gol, que àquela altura do jogo, indo para o final, o Coritiba merecia porque conservou uma virtude do começo ao fim: consciente da sua estreita qualidade, buscou a compensação na luta incessante por espaço e pela bola. O Coritiba mereceu porque procurou ganhar. Mas esse justo não absorve o erro do árbitro paulista, que não marcou, no primeiro tempo, um pênalti do goleiro Wilson em Deivid.

Ao contrário, o Atlético mostrou que não tem um time confiável. E desta vez por um gravíssimo defeito: não teve a coragem para se impor, embora tivesse condições de jogo. Foi tão básico, que durante 90 minutos usou a velha e superada convenção do querer vencer mais pelo erro adversário do que por suas virtudes.

Num jogo brigado, às vezes tão truncado e sem direção, que parecia um marcha de elefantes, (João Paulo deveria ser expulso) Kleber teve um pouco de luz.

Sentimento

O mundo do futebol chorou por Messi pelo sentimento de tristeza ou de pena. Chorou tristeza pela tristeza de ver o segundo maior jogador da história do futebol, se auto entregar como um derrotado ao querer ganhar por seu país. Derrotas como essa não machucam apenas o seu personagem mediato, mas a todos que gostam do futebol com bem querer.

Nós já passamos por isso, por Zico.

A perda do Mundial na Espanha (1982) abriu um buraco na história do nosso futebol, que nem o tempo consegue fechar. Até hoje temos que ouvir Dunga dizer que ele foi campeão do mundo. Mas são essas contradições, que embora traumatizem e deixem mágoa, tornam o futebol extraordinário.

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