No futebol não acredito em estatística. Em regras são usadas para criar ilusão ou desilusão. Às vezes, mal aplicadas, criam uma insensatez que falta com respeito à lógica. No futebol entre a estatística e a lógica, existe a bola. (Aqui abro um parêntesis: só estou usando a expressão insensatez com a condição de ser perdoado por Vinícius e Jobim).
No futebol, como na vida, não acredito em coincidências. Nada ocorrendo por acaso, há sempre um elemento diferente na composição do fato. Na verdade, coincidência é todo o fato que o nosso querer deseja que aconteça.
Escrevo isso porque o noticiário, principalmente de rádio, está cansando o Atletiba. A exceção de Valmir Gomes, comentarista da CBN, o que se tem a sujeição e obediência do futebol ao passado, às estatísticas e às coincidências.
Cito Gomes, porque ao responder qual deveria ser o comportamento do técnico Gilson Kleina, do Coritiba, diante de um time que precisa reverter uma desigualdade de três gols, respondeu: “Kleina tem que orientar o time para ganhar”. A resposta simples encerra uma verdade profunda e definitiva: um treinador racional pode até querer, mas não deve preparar um time para ganhar com diferença de três gols um clássico da natureza do Atletiba.
A partir de uma vitória natural (e seria uma vitória dos coxas) é que se deve considerar os critérios de decisão. Há uma lógica nesse pensamento: ganhar por uma diferença de três gols ou mais, não depende só de quem precisa, mas de outras circunstâncias, como o tempo que lhe resta de jogo, e em especial, depende muito mais da reação de quem tem que defender a diferença.
Aliás, o Atletiba da Baixada serve como ilustração. O Furacão foi projetado para ganhar o jogo. Os três a zero passaram a ser consequência das circunstâncias, em especial a de que a excelência de seu futebol no segundo tempo coincidiu com os piores momentos do Coritiba nessa temporada. Pode ser que os coxas joguem como nunca jogaram, mas que o Furacão tenha o poder de controle do resultado, o que de todas as hipóteses é a mais provável. E há, ainda, a concorrência da emoção. Ganhar de três a zero quando não é preciso (era o caso do Furacão) é diferente de ganhar de três a zero, quando é preciso (é o caso do Coritiba).