Inquisição

O leigo não deve entender de cláusula pétrea, mas se lê na Constituição “aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Esse princípio só pode ser extinto por uma revolução. Raras vezes tivemos uma violação tão brutal a esse princípio como no caso de Airton Cordeiro. Seus colegas da CBN, comandados por José Wille, com jeito de papa, instituíram uma nova versão do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição. Sem permitir um único gesto de defesa, jogou-se Airton Cordeiro na fogueira, queimando-o publicamente.

A motivação de fundo deixa de ser a questão mais relevante, pois já houve julgamento, ocorreu uma condenação, e executou-se da pena. Mas não é por isso que o caso deve ser encerrado. Há uma questão fundamental que não pode ser desprezada. E a questão não é simples, é grave porque interessa a toda a classe de jornalista. Por que razão o Sindicato dos Jornalistas deu publicidade ao pedido de providências dos colegas da CBN? A simples publicação, mesmo sem juízo valor, já condenou Airton, porque até então a crise era um problema de relação interna, restrita à CBN, e não de classe. Usou-se um critério discriminatório, que se afastando do princípio do tratamento de igualdade entre partes, apontou um culpado. Sindicato, aliás, que pouco fez e faz pela classe, porque é da sua cultura encantar-se por assédios patronais. A prova é a atual convenção, que associada a um monopólio, tudo aceito por esse Sindicato criou uma espécie de servidão.

Mas as questões que sobraram não terminam aí. Há uma outra: por que tanto ódio contra Airton Cordeiro na CBN? Não seria em razão das suas posições críticas e independentes, coisa rara no jornalismo da emissora, que impediam o fluxo de interesses com os porões do poder?

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google