A última vez que tinha viajado a Europa foi com Alex, no julgamento contra o Parma, em Zurique. O caso Denis Marques me empurrou para o painel da Corte de Arbitragem dos Esportes, em Lausane. Uma oportunidade profissional inesquecível. Depois do trabalho, fui em frente. De trem por doze dias viajei para homenagear um amor de trinta anos. A viagem de trem pelo interior da Itália e França tem a capacidade de amortecer os sentimentos. Provoca-nos a uma remissão dos fatos da vida: o certo e o errado se separam, obrigando-nos a uma completa revisão que nos incentiva a mudanças.

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Não quero dizer que pedi perdão e nem deveria, embora tenha oferecido uma vela para cada Santo Antônio nas igrejas seculares que entrei, cuja preservação mostra o poder da fé católica. Do que eu fiz não me arrependo de nada, é a mensagem mais forte que as canções de Edith Piaf deixaram para os franceses. Mas, talvez, viva, Piaf mudaria algumas coisas.

Em Lausane foi comovente o painel de arbitragem. Minhas limitações foram superadas, porque Eduardo Malucelli e Rui Paciornik, jovens advogados, defenderam as razões em inglês como se estivessem em um tribunal brasileiro. Foram soberbos e em um daqueles trens, pensei: como esses jovens atleticanos, embora profissionais, têm o Atlético como um ideal importante de vida.

O formalismo intransigente dos árbitros da Corte (todos doutores em direito) criam um ambiente que mostra ao advogado a existência de um outro mundo. Na Europa, definitivamente, a arbitragem já é trânsito para a realização do Direito como o fazedor de justiça. Do que fiz não me arrependo de nada, mas faria muitas coisas diferentes.

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Já era esperado o não pronunciamento final da Corte. É do seu rito processual. Denis estará apto a jogar no dia 23 de agosto, independente de qualquer outro procedimento, inclusive do pagamento de indenização porque o recurso interposto contra esta suspendeu a sua aplicação.

Conhecia o Denis em uma conversa breve. Agora o conheci definitivamente. Que bela pessoa humana: honesto, alegre, às vezes inocente como uma criança. É tão encantador que foi comovente o beijo e o abraço que recebeu do milionário príncipe dono do Kuwait, seu adversário de julgamento.

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