Em regra, o treinador no futebol brasileiro não é confiável. Seus argumentos, para justificar um resultado negativo, tomam o caminho do ponto de vista pessoal e não dos fatos. Daí se agarra no tempo de posse de bola, nos gols perdidos, na justiça e na injustiça, como se o futebol fosse regido pelo acaso. Bem resumido, o treinador no futebol tem jeito da Capitu, de Machado de Assis: age, dissimulando.
O treinador Vagner Mancini nem bem assumiu o Atlético e já atribuiu à injustiça o fato de não ter ganhado em Belém. Drubscky, seu antecessor, também disse que foi injusto o Furacão não ganhar do Fluminense, do Cruzeiro e do Flamengo. E, assim, à procura da justiça, como se ela existisse no futebol sem qualidade e trabalho correto, o Atlético está na zona dos rebaixados.
Como se pode perceber, Mancini é um técnico comum, que busca proteção em posições pessoais e não em fatos que ocorrem. É preciso lhe avisar que todas as desculpas subjetivas estão esgotadas. A torcida atleticana não está à procura de justiça, mas de um único fato que é a vitória, mesmo sendo injusta, e mesmo que tenha que ser contra o poderoso Corinthians.
Justiça
Veja o leitor se me falta razão. Agora mesmo, acabo de ouvir uma entrevista de Dado Cavalcanti, na qual ele não admite outro resultado do Paraná, hoje, contra o América de Natal, que não seja a vitória. Quem deveria ouvir da torcida essa exigência é o treinador, que fez o time jogar bem contra o América-MG e o Avai, comandar o resultado, mas entregá-lo em razão de ações táticas defensivas no segundo tempo.