Quando a vitória se torna uma regra, a derrota chega em forma de fato inesperado. Como na vida, no futebol não é diferente: a surpresa não vem sozinha, mas carregada de motivos.

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Bem por isso, os atleticanos estão correndo atrás de explicações para a derrota, no Serra Dourada, para o Goiás por 3 x 0. Foi a ausência de Paulo Baier a motivação do fracasso, acomoda-se a maioria. Se não foi a ausência de Baier, foram calor e o clima seco de Goiânia, que maltrata o povo do Sul, concluem os outros. Na surpresa, usa-se o óbvio e se despreza o mais importante.

Jogar na Vila Capanema é uma coisa. O campo pequeno, apertado pelo alambrado, transfere a influência da torcida para dentro de campo, alcançando até o esquema tático. Num campo assim, é mais fácil agrupar setores para corrigir as deficiências individuais. Jogar no Serra Dourada é outra coisa. O campo grande espalha os jogadores, influindo diretamente na organização de um time. O Goiás utilizou-se desse elemento. Abrindo o jogo com Roni e Valter pelos lados, abriu e escancarou os defeitos do sistema de marcação e de defesa do Atlético. Em especial, explorou a deficiência de cobertura dos laterais. Resultado: sem traumas, o time goiano fez dois a zero. E, o terceiro, de Valter, no final, corrigiu o placar: 3×0 era o justo para quem criou chances para fazer quatro ou cinco.

O Furacão começa a sentir falta da influência de Vila Capanema. Então, surge o grande adversário para ir a Libertadores: a sua torcida. É como se dormisse com o inimigo. Após o Atletiba, escrevi que o clube iria pagar caro pela briga entre as duas gangues que se vestem de vermelho e preto. Perdeu dois mandos, e agora, corre o risco de responder como reincidente e perder outro tanto. O Atlético precisa agir com mais rigor para excluir.

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A prevenção no caso não resolve. De criminosos não se pode esperar compreensão.