Inimigo íntimo

As crônicas diárias exigem que o jornalista não despreze nenhum fato. Para o grande jornalista, que não é o meu caso, não há fato irrelevante. Um dia desses, o senhor do Atlético Mário Celso Petraglia falou no bom som da rádio Transamérica: “Peço para a imprensa e faço um apelo para torcida do Coritiba ter compreensão e não criticar o presidente Bacellar: ele pegou o clube quebrado”.

Imediatamente, Bacellar voltou a público para confirmar que “está pagando dividas de gestões anteriores”. Ao individualizar alguns pagamentos, quis se referir ao ex-presidente Vilson Ribeiro de Andrade.

O que Bacellar diz é “prato requentado”, copiando a expressão de Paulo Maluf. Quem não sabe da história fica curioso em saber a razão de Petraglia se dirigir à torcida do Coritiba com tanta intimidade. Quem sabe, compreende-o. E até lhe dá razão. Foi ele quem convenceu Bacellar para não deixar o Coritiba na Globo, introduzindo-o no Esporte Interativo.

E, colocando-o na festa dos americanos, foi quem conseguiu 40 milhões de reais, com os quais Bacellar “está pagando dívidas de gestões anteriores”. Sem qualquer ironia, Petraglia indiretamente está auxiliando a atual administração coxa. É um “presidente de fato”.

Talvez esteja retribuindo o que o saudoso Evangelino da Costa Neves fez para o Furacão em 1968. Rebaixado no Estadual, o Atlético segurou-se na mão que o Coritiba lhe estendeu, e ficou na primeira divisão. Para a época, tamanha solidariedade era um gesto proibido.

O Coritiba, hoje à noite, joga no Couto contra o Juventude. Precisa vencer por vários motivos. Destaco dois. Um é certo: derrotado em Caxias, só a vitória lhe empurra para próxima fase da Copa do Brasil. Não ganhar não só lhe exclui da segunda competição mais importante, como devolverá as dúvidas sobre a capacidade do treinador e do time. O outro motivo é presumido: uma derrota é capaz de provocar tristeza em seu inimigo íntimo.

Dúvida

Termino de ver Sevilla 3×1 Liverpool, pela final da Liga Europa. A imagem da televisão, ao invés de se concentrar na festa dos espanhóis, colhe um jovem inglês chorando pelo fracasso do Liverpool. Pergunto: há quanto tempo não se chora no Brasil por uma derrota do time do coração?

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google