Um dia desses, escrevi que o doutor Mário Celso Petraglia, senhor do Atlético, exerce influência em algumas decisões do Coritiba, em razão da amizade que tem com seu presidente Rogério Bacellar. Telefonou-me Bacellar indignado: “Petraglia não manda no Coritiba.”
Interpretou mal o presidente coxa. Eu não escrevi que Petraglia manda. Escrevi que influencia, e aí, às vezes, não tem mal. Talvez, se não fosse Mário Celso Petraglia, o Coritiba não teria cedido os direitos de televisão para o Esporte Interativo por 40 milhões de reais. O cartola atleticano não negociou em nome do Coritiba, mas a partir do preço que fez para o Atlético, o rival histórico definiu a sua remuneração.
Dito de outra forma: se Petraglia tivesse conseguido apenas 30 milhões para o Furacão, Bacellar não teria conseguido mais do que valor para o seu clube. Concordo que os dois sendo grandes, um puxa o outro, mas nesse caso é preciso reconhecer, que o Atlético puxou o Coritiba.
Qual a razão do Coritiba ter feito sacrifícios para manter o zagueiro Juninho, recusando propostas do Flamengo e do Lyon (França)? Porque adotou o mesmo critério que Petraglia adota no Atlético: renova o contrato do jovem, aumenta o valor da cláusula indenizatória desportiva, para aumentar o valor do negócio futuro.
O doutor Bacellar não deveria ficar bravo. Respeito-o. Ao contrário, exalto-o, pois a sua relação de amizade com Petraglia, só tem repercutido em benefício dos coxas. Em negócio de futebol, desde que não seja com bola rolando, com Petraglia todos, se quiserem, ganham.
Crítica
A sinceridade como sentimento grandioso não precisa ser tornada pública. O goleador Kléber, o “Gladiador”, toda vez que o Coritiba perde faz uma crítica aos seus companheiros. Não discuto as suas razões, mesmo porque, são razoáveis. Mas sinceridade pública, às vezes, constrange. Por muito menos, Levir Culpi enquadrou Fred, no Fluminense.