Virou um clássico da política atleticana, um dos motivos que Mário Celso Petrglia indicou para voltar à presidência do Atlético. Disse ele: “Estou cansado de ser perguntado pelos meus netinhos quando é que voltaremos a ganhar do Coritiba.” Se foi tratado com um fundo de ironia, agora passou a carregar um fato sério, que está se tornando grave: não só os netos de Petraglia, mas todos os netos de atleticanos estão crescendo com a mágoa da derrota, a infância marcada pelo fracasso.

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Cinco meses depois de Petraglia ter assumido a sua presidência, e quatro Atletibas jogados, e um título estadual decidido, o Atlético é o resumo do engano. A sua torcida está ausente dos estádios e deixa de renovar o título de sócio, porque está triste. Não é apenas a tristeza como sentimento de resultados em campo. Mas o sentimento de tristeza de quem se sente enganado por promessas que exploram a paixão.

Agarrado ao rebaixamento para a Segunda Divisão, Petraglia prometeu um grande time jogando no Couto Pereira. Mantendo a mesma base do rebaixamento com Baier, Marcinho, Guerrón, Bruno Costa e Héracles, além de promover a volta de Alan Bahia, Bruno Furlan e Ricardinho, e reforçando com Léo Mineiro, Adriano e Patrick, entregou um time medíocre, jogando em Vila Capanema.

É um clube sem voz e sem alma. Falta-lhe identidade no comando, por faltar coragem de exposição pessoal. As mensagens são escondidas na frieza das redes sociais, como se o Atlético fosse um ser inanimado, uma selva de pedra, onde não existindo paixão, pode viver de bilhetinhos eletrônicos.

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As obras da Baixada estão quase paralisadas. Culpa-se o poder público pela falta de dinheiro, como se culpam os árbitros pelos fracassos no campo. Assim, é natural que o clube, se ainda não enfrenta, vai com certeza ter que enfrentar o problema de fluxo de dinheiro, pois sem estádio e sem time, é impossível remunerar a sua estrutura.

E aí, os netos de todos os atleticanos serão os enlutados.

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