Inevitável

Não era provável porque não se queria, e nem seria justo; mas se tornou possível, e, à certa altura do jogo, inevitável: o Atlético perdeu o jogo de São Januário para o fraco Vasco (1×0), e a independência dos resultados na última rodada. Tão ruim quanto a derrota, foi a certeza final de que depender deste Vasco é viver de ilusão. Era o jogo mais importante porque poderia ser o do título e contra um adversário afogado e com medo de si próprio. No entanto, o Atlético que se viu foi um time indiferente à essas circunstâncias: frio, lento e confuso. Antes mesmo de estar perdendo, deu sinais de que havia esgotado os seus recursos, e não poderia ir além dos seus limites. Parecia no osso.

O jogo começou como todos os jogos do Atlético começam: o time de Levir atrás, previsível, esperando por uma bola enfiada, seguida do erro do adversário. Embora Fernandinho tenha entrado para jogar no meio, fixou-se atrás. Então, única jogada desta previsível programação. Washington perdeu no primeiro tempo. Outra vez, perderam-se quarenta e cinco minutos. Só que desta vez seria fatal.

Com Fernandinho no meio, agora avançado, o Atlético por alguns minutos voltou a dar esperanças. Mas a superioridade não passou de alguns minutos do início do segundo tempo, e não passou de duas ou três jogadas de Fernandinho e Denis Marques. O equívoco da entrada pelo momento, de Pingo para Fernandinho ir para o lado, quebrou o ritmo. Equívoco imperdoável, tanto que o próprio Levir quis corrigir, devolvendo Fernandinho para o meio e colocando Davi pelo lado. Mas aí o Vasco já havia perdido o medo de si e do Atlético, e passou a explorar o incorrigível erro da bola cruzada na área: Diego, Marinho e Marcão ficaram assistindo Henrique vir de trás e fazer o gol.

Era cedo ainda no relógio, mas tarde demais pelo que se via no campo. Em nenhum momento, por mais tempo que tivesse, o Atlético criou situação para o empate. Na falta de espaço para mudar a sua forma de jogar sem força e velocidade, não tinha quem tivesse jeito para jogar. Era um daqueles jogos em que o craque poderia decidir. E craque só havia um: Petkovic, jogando pelo Vasco.

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