A César o que é de César, disse Cristo aos judeus que reclamavam dos impostos de Roma. A Levir o que é de Levir, digo eu e devem dizê-lo todos aqueles que o criticaram pelo fracasso de Erechim.

continua após a publicidade

O Atlético goleou o São Caetano por 5 x 2, e avançou para o bi brasileiro. Antes de golear, perdia e não jogava bem contra um time poderoso. Seria um desastre com contornos definitivos de fim.

Então, Levir interviu e mudou tudo: excluiu Ivan, colocou Raulen, empurrou Fernandinho para o meio e Marcão para o lado esquerdo. O resultado foi que o Atlético se tornou o maior time de mortais. Os quarenta e cinco minutos que fez para golear o São Caetano, só a morte irá apagar da memória. E peço a Deus, se a Ele posso pedir mais alguma coisa nesta vida, que a morte demore um pouco. O jogo do Atlético deixou lembranças tão belas, que não podem ir embora, assim, de repente.

As ações do Atlético no primeiro tempo foram nulas. Não porque jogava mal, mas porque tinha medo de jogar bem. Amarrado em equívocos de passes, sob tensão das recordações de Erechim, submetia-se aos encantos e ao poder do timaço do São Caetano.

continua após a publicidade

A velha lição de que existe mal que vem para o bem, trouxe o gol de Marcinho que pôs o São Caetano na frente. Obra maldosa e passageira, mas mais tarde, obra divina e eterna: fez o Atlético se render à sua errante vida defensiva, convencendo-o mais uma vez de que a sua vida é jogar no ataque. Raulen entrou, e jogou como se fosse o Leandro do Flamengo, o maior lateral da história; Fernandinho fez do corpo a própria alma, do seu talento, passagem para a vitória. Os dois empurraram tanto o Atlético para o ataque, que fizeram a bola chegar em Dênis Marques. Foi Dênis quem decidiu o jogo: fez dois gols, criou um dos gols de Jádson, desnorteou os paulistas, e saiu com pinta de Alex Mineiro do bi.

Dedico esta coluna aos meus amigos Paulo Pisani e seus filhos Nelson, Paulinho e Bruno.

continua após a publicidade