A quebra do silêncio de Mário Celso Petraglia foi mais chocante do que o próprio silêncio. Disse ele que o Atlético não fará loucuras para ganhar títulos e não ficará quebrado como a maioria dos clubes. Tamanha prudência e portentoso respeito com as coisas do clube são capazes de provocar comoção.
Interpretado o argumento de Petraglia, é possível concluir, então, que o Atlético não tem time por lhe faltar dinheiro. É aí que a questão se torna grave: presume-se, pelo balanço, que tenha dinheiro, mas se não tem dinheiro, é porque falta-lhe capacidade de gerenciamento no futebol. Entenda-se por capacidade de gerência, a competência de observar, pesquisar e, dentro do planejamento prudente com as finanças, encontrar jogadores, que diminuam o risco de erro para a formação de um time.
O time campeão de 2001 custou apenas a observação técnica, pois o custo estava dentro do padrão do clube. Tanto que o superávit permitiu enfrentar o custo do título, obrigações de final de ano, e adquirir o passe de Alex Mineiro.
O time de 2004 foi vice-campeão brasileiro, tinha a revelação dos excelentes Fernandinho e Jadson, o casuísmo de Washginton e a oportunidade de ter Denis Marques. Por Denis, mais tarde, o Atlético pagou US$ 700 mil e, cinco meses depois, o vendeu por US$ 5 milhões.
Quando se quer ser racional no gasto, no que Mário Celso está absolutamente correto, exige-se competência. E aí, o Atlético é um vazio completo, pois não tem ninguém que apresente soluções para o time. Atualmente, só ocorrem soluções para negócios dentro da natureza empresarial, que se imprimiu na vida do clube.
É comovente a preocupação pública com as finanças do clube. Mas, também seria, a preocupação com o coração do povo.