O fato inesperado antecedido de um não querer, às vezes, provoca o mesmo impacto do fato querido. No futebol, nós podemos torcer para que ele não aconteça, mas se acontece somos também por ele envolvidos.
Já de saída de casa para ir ao cinema, fui dar uma última olhada no jogo do Coxa contra o Grêmio. Então, vi o gol de Leonardo, o segundo da vitória (2 x 1). A imagem pela beleza do gol que conduziu o seu registro na memória só não foi mais forte do que a última imagem do filme francês “Até a eternidade”. E, talvez, porque a imagem do gol foi em razão da beleza, e o que pode ser belo para uns pode não ser para os outros. A do filme, foi mais forte, em razão da solidariedade humana diante de uma perda, que na vida é marca que crava mais forte.
O gol de Leonardo é uma dessas coisas inesquecíveis. Porque o inesperado, qualquer que seja a forma, é belo. Quando é decisivo, no último minuto, imobilizando o adversário por mais poderoso que seja, como é o Grêmio dos gaúchos, torna-se histórico.
Imagem que é negada à maior torcida do Paraná. Se ficou alguma imagem gravada desse Atlético do Petraglia, na derrota para o Guarani, em Campinas (2 x 1) foi a da mentira: um time sem qualidade e sem alma, dirigido por um técnico sem o poder de raciocínio. Na Segunda Divisão todos são ruins, concordo. Mas é possível fazer um time assim jogar o mínimo para alcançar objetivo. Basta de ter um comando, o que é impossível de se ter com Jorginho. Mas para ver é preciso ter ideal.
Ideal que sobra no Paraná, na direção e no comando técnico. Por isso, o Tricolor, ganhando na superação do Ceará – porque é superação um gol de bico (1 x 0) – vai surpreendendo com a imagem marcante de uma campanha regular, que pode ganhar um futuro inesperado.