Clarice Lispector escreveu certa vez no seu caderno de notas, que o pior de mentir é que se cria uma falsa verdade. Ela tinha razão. Desde que sai em férias foram-se vinte dias. E o que aconteceu no futebol paranaense? Para responder o leitor que adote como referência a imagem de cada um dos times.
Do Coritiba, exclua Alex, surge um branco. O time desaparece, pois o que restou foi o que terminou o ano assustado com o rebaixamento. A idéia do projeto pela conservação de estrutura, com manutenção de Rafinha, Lincoln, Emerson e David é um engano. São jogadores saturados seja porque foram poucas as conquistas, seja porque há insatisfação financeira. O Coritiba engana.
Do Paraná escolha a imagem que preferirem. A nova ampliada se torna uma colcha tecida de boleiros rodados e veteranos, parecendo peões contratados para uma obra curta e temporária. O Paraná se engana.
Do Atlético, literalmente, não há sequer uma imagem. Há vida por causa da história, mas não há alma. Esconde-se como se o objeto social fosse executado em um ambiente interior, como são os negócios de família. O Furacão afastou-se do mundo exterior. Mas pelo menos não engana ninguém.
Não cedeu os direitos para a televisão com razão, mas não por sua razão aparente, que é o valor financeiro oferecido. A razão única e definitiva é a de que não tinha o que negociar, pois o time sub-23, que irá colocar em campo é um produto sem qualidade. Se jogar o estadual fosse uma faculdade e não uma obrigação de lei, o não jogaria. Estaria certo.
Acrescente-se a esta razão, a pobreza geral do estadual. Há tempo escrevo que o campeonato do Paraná só não é pior do que do Maranhão. E com esse estado a própria televisão concorre ao concordar ser parceira de um contrato em que a Federação, simples e má gestora, ganha mais do que a maioria dos clubes. “É duro, é difícil” protestaria Bob Dylan.