Ilusão

Certa vez, que já faz bastante tempo (fevereiro de 1983), o Atlético foi jogar pelo Brasileiro, no Olímpico, contra o Grêmio. Era um tempo em que eu me provocava para me iludir. Então, perguntei: será que o Furacão pode ganhar? E m uma noite de horror, com o microfone da Independência dando choque, tomando chuva, já resfriado pelo minuano que ainda soprava, vi o Atlético ganhar de virada: 2×1, gols de Capitão e Washington.

Foi um jogo que o goleiro Rafael Camarota literalmente deu a cara para bater. Para evitar o gol de empate no último minuto, fraturou um osso da face.

Perdi a inocência e sei que o Atlético, de hoje, em Porto Alegre, está bem longe daquele de Rafael, Jair Gonçalves, Jorge Luiz (que volante!), Capitão, Washington e Assis.

Bem longe e pelo tempo e pela qualidade, Weverton voltou a ser um goleiro inseguro, a zaga é uma das piores do campeonato, e Marcelo, o único atacante de brilho, está sufocado pelo isolamento de um meio campo carente.

Mas como escrevia Nelson Rodrigues, o homem que perde a ilusão está morto. Em todos nós, que lutamos para conservar valores, existe no mínimo uma ponta de ilusão. E essa que nos move contra o improvável e às vezes, até contra o impossível.

Então, pergunto: será que o Furacão pode ganhar na Arena do Grêmio?

Pressão

Com Alex, já estava difícil. O Coritiba conseguia criar algumas jogadas, mas era incapaz de fazer gols.

Agora, sem Alex, a tendência é aumentar o drama. Hoje contra a Chapecoense, no  Estádio Couto Pereira, os coxas fazem um jogo em que os jogadores precisam ser sobre-humanos, sem direito a qualquer erro.

O jogo é difícil mais pela obrigação da vitória do que pelo que eventualmente o time catarinense possa jogar.

E sob pressão era preciso ter um craque, mas Alex ficará em casa.

Hoje, tudo pode acontecer com o Coritiba.

Inclusive ganhar.

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