Sempre que Atlético e Coritiba ganham de times semiamadores, como são Iraty e Rio Branco, dão um passo para trás. Inchando o valor de um título do turno e uma liderança de returno, estimulam o seu torcedor a viver, também, num mundo do faz de conta. Desprezam a realidade, esquecem que logo vai começar o Brasileiro, e nenhum tem time para alcançar o objetivo exigido.
A situação do Atlético é mais grave. Escrevi dia desses que no Uruguai Juan Ramon Carrasco tem três estágios como treinador: inteligente, místico e louco. Menos ruim se fosse verdade, porque louco se interdita – no futebol, manda-se embora. Carrasco, porém, é irresponsável, condição que dissimula com vitórias contra times estranhos ao regime profissional do futebol.
Na vitória sobre o Iraty (3 x 0) o seu culto à pirotecnia foi ao extremo. Escalou três meias ofensivos, distorcendo o princípio de que atacar é consequência de equilíbrio de todos os setores. Resultado: com a defesa escancarada, antes de fazer o primeiro gol, o Atlético teve que ser beneficiado pela arbitragem, que não marcou um pênalti do goleiro Vinícius em Fumaça, e passar pelo risco de sofrer dois gols do Iraty. Só mesmo a capacidade individual de Paulo Baier para fantasiar a irresponsabilidade de Carrasco, que não tem limites: Pablo, que era lateral, entrou no ataque. Mais grave é que o treinador é protecionista, escala o que lhe é de conveniência, como o botinudo Gabriel Marques e Ligüera, esse em prejuízo ao menino Harrison – único talento como Baier. Sem dirigentes para cobrá-lo, Carrasco só falta engolir fogo.
No Coritiba, a diferença é que seu treinador Marcelo Oliveira, talvez, por ser normal, cria dificuldades para armar o time. Troca jogadores, muda esquema, tudo para ser reduzido à bola parada de Tcheco para um zagueiro (Emerson, em especial) vir de trás para marcar. Venceu o Rio Branco (2 x 0) com gols de bolas cruzadas de escanteio por Tcheco e com gols de Emerson e Demerson.
O Londrina foi descartado no empate (1 x 1) em casa contra o Toledo. Atlético e Coritiba irão disputar o título. É o mínimo para salvar esse faz de conta.