Ídolos de barro

Não conheço nada de marketing, mas conheço tudo da vida. De Atlético, então, conheço mais que da vida. A eleição para presidente do Furacão está sendo monopolizada em torno de ex-jogadores, como se eles tivessem o poder de afastar dúvidas dos sócios e decidir por um ou outro candidato.

Há uma interpretação equivocada no conceito de ídolo. Uma coisa é aquele que depois de abandonar o futebol continua provocando o sentimento do torcedor. Alex, por exemplo. Um dia desses, no lançamento do livro que conta a sua história, provocou a ida de mais de 500 pessoas a um shopping. Outra coisa é aquele que depois de abandonar o futebol só desperta atenção por uma presença especifica: Alex Mineiro, por exemplo. A sua história no Atlético é mais bela que a de Alex no Coritiba, já escrevi certa vez. No entanto, diferente do ídolo coxa, se andar sem nenhum propósito pelas ruas de Curitiba não será reconhecido; e, se o for, não será parado.

Faz tempo que o Atlético não consegue criar e preservar um ídolo. Sou capaz de afirmar, que o seu último grande ídolo vivo, aos 90 anos, é Jackson do Nascimento. Há um motivo fundamental para explicar essa carência: há 20 anos, a vida do clube é monopolizada por Mário Celso Petraglia. O monopólio é tão grande, que às vezes dá a impressão, de que ele é o presidente, o goleiro, o armador e o centroavante. Ele não só pensa que o Atlético é ele. Ele faz que o Atlético seja ele.

Petraglia está errado?

Apenas ocupou um vazio que os atleticanos não sabiam que existia.

Na verdade, todos são ídolos de barro.

Renovação

Os coxas já querem saber se Pachequinho continuará como técnico do Coritiba. É impossível responder por duas razões: a primeira é que ainda precisa ganhar um ponto para manter o clube na primeira divisão. E a outra razão vem dos bastidores. Rogério Bacellar teria confessado que tem disposição de renunciar a presidência. Talvez essa disposição tenha sido anterior à reação coxa no campeonato.

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