Não há dúvida: Mário Celso Petraglia é o grande culpado pelo fracasso do Atlético. A origem do erro: a ousadia de tratar de um negócio que ele não entende, que é futebol.
Mas dizer que Petraglia é o grande culpado já não é mais uma descoberta. Ele próprio, em surpreendente momento de humildade, se confessou o culpado direto e único por esse regime de fracassos no campo. Existe responsabilidade sem culpa. Mário não nega a responsabilidade por essa culpa.
Não há dúvida: o time é ruim, velho, baderneiro e preguiçoso. Mas não é pior dos que com ele lutam para fugir do rebaixamento. O que não se pode é insistir no óbvio e desprezar outros fatores, que embora não sejam tão graves como os equívocos de Mário Celso, não deixam de ser relevantes.
O trabalho de Geninho começa a ficar sob suspeição. É uma unanimidade que ele é só vítima. Mas vítimas foram também Roberto Fernandes e Mário Sérgio, com uma diferença: esses vieram reprovados pela torcida, mas Geninho está sendo um sacrifício financeiro do clube para atender a torcida.
Seja qual for o resultado final, ninguém poderá indicar um dedo para culpá-lo. Só que não ser culpado não significa, necessariamente, estar isento de qualquer responsabilidade.
Não pense o torcedor que Geninho veio por amor. Ganha o que nenhum técnico ganhou na história do Atlético. E por enquanto, com toda a justiça, pois o passado no futebol tem seu preço, para o bem ou para o mal.
Mas o que fez Geninho até agora para minorar o drama da torcida que o exigiu? Veja o leitor que falo em minorar, isto é, dar uma alternativa para, no mínimo, criar uma esperança. Seria injusto se usasse o verbo salvar, porque aí queria que um mortal praticasse milagres.
O que eu quero dizer é isso: Geninho, até agora, nada somou. Não restabeleceu a disciplina, não criou nenhum projeto de jogo, que compensasse as limitações individuais dos jogadores, e sequer deu perspectiva do Atlético enfrentar o drama maior. O que Geninho não pode é fazer com que essa esperança fique cara demais.