Mário Celso Petraglia rompeu o silêncio, é a manchete da revista “Ideias”, do mês de agosto, da reportagem da excelente repórter Denise Mello, páginas 20 a 25.

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Após considerar a posição do Atlético em não se onerar com 100 milhões de reais para concluir a Arena dentro das exigências da Fifa, e que o Coritiba não consegue viabilizar as alternativas para revitalizar o Couto Pereira, propõe: “Porque não unirmos os interesses dos dois em uma só praça esportiva? Cada um fica com seu centro de treinamento, com a sua administração do futebol e o nome seria Arena Atletiba. Eles vendem o Couto Pereira, pegam esse dinheiro e a gente termina a Arena.”

Provocado sobre o impedimento da proposta pela rivalidade, diz Petraglia: “Precisamos jogar fora a pobreza da aldeia e deixarmos de lado a emoção e a paixão, o fanatismo e a inveja. É preciso trabalhar o futebol, neste momento, como negócio, até para depois aumentarmos tanto o faturamento quanto a paixão” (fls. 25).

Não há outra interpretação: Mário Celso Petraglia propõe que o Atlético venda 50% da Arena da Baixada ao Coritiba, que pagaria a compra com a venda do Estádio Antonio Couto Pereira, e surgiria, então a Arena Atletiba. E “aí o estádio ficará exclusivamente privado”, conclui o ex-senhor atleticano.

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A proposta não iria causar nenhum trauma, se não passasse de uma sugestão de um empresário que quer lucrar com a Copa do Mundo. Mas Mário Celso Petraglia está indo além: quer materializá-la. Em um jantar com Beto Richa, e no qual foram convidados os jornalistas Fábio Campana e Carlos Alberto Pessoa, expôs oficialmente a sua proposta ao Prefeito de Curitiba. E agora está a procura do vice-governador Orlando Pessuti para convencê-lo.

A questão nuclear da proposta de Petraglia não é esportiva ou financeira. Mas como a ânsia pelo exercício do poder e da satisfação material podem subtrair valores que parecem intocáveis.

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Ao propor vender 50% da Arena da Baixada para o Coritiba, Petraglia atenta contra a dignidade dos atleticanos e contra si próprio por ter comandado a construção do estádio.

Não existe nenhuma outra questão a ser discutida, a não ser não saber se Petraglia, quando propôs a venda de 50% da Arena da Baixada aos coxas, estava em um estado emocional regular.

Sem querer fazer comparações de fatos e de pessoas, bate a lembrança do que o jornalista alemão Joachim Fest, escreveu na contra-capa da sua obra prima “Hitler”. Expressa: “Winston Churchill disse que se Hitler tivesse morrido em 1938 teria sido um dos maiores estadistas da Europa. Sucede que Hitler não morreu em 1938”.