Idade da pedra

Um dia desses o jornal Estadão publicou uma pesquisa de médicos alemães que queriam dar o exato conceito que a psiquiatria deveria adotar sobre a expressão popular “andando em círculos”.

O experimento foi em um grupo de pessoas monitoradas por GPS, distribuídas pelo deserto do Saara e por uma floresta da Alemanha. Conclusão: por mais que as pessoas tentassem caminhar em linha reta, terminavam em círculos, sem perceber que estavam cruzando as próprias rotas. Aconteceu isso, porque nenhuma das pessoas tinha a referência para alcançar o objetivo traçado.

Se pesquisa fosse de médicos brasileiros, não seria arriscado apostar que Mário Celso Petraglia estaria entre os componentes do grupo experimental. No futebol, não conheço ninguém como ele que ande 22 anos e não consiga chegar a lugar nenhum.

Há um ano contratou Paulo Autuori para fazer uma revolução no Atlético, quase lhe dando um contrato vitalício. Há 40 dias transformou Autuori em diretor de futebol e contratou Eduardo Baptista por ter “o perfil” exigido pelo projeto. Reuniu a imprensa e cravou: “O Atlético está quebrando paradigmas”.

Ontem mandou embora os dois com uma ação ardilosa. O doutor não queria mais Autuori, atribuindo a ele a responsabilidade pela formação do “pior time que eu vi desde que estou no Atlético”. Mas a demissão do professor com implicações legais, não sairia barata. Como Autuori não concordaria com a demissão de Baptista, afirmando que sairia junto, Petraglia não teve dúvida: demitiu Baptista, e empurrou Autuori para fora do Caju, e depois escreveu uma carta de saudades.

Entre os meus defeitos, não está a incoerência. Já escrevi que “a camisa do Atlético” parecia ficar muito apertada em Baptista, causando-lhe desconforto. Paulo Autuori nunca foi confiável, como se deve desconfiar de quem usa a soberba para mostrar personalidade. Se fosse discutir razões sobre as demissões, Petraglia teria todas elas do seu lado. Inclusive as minhas.

Mas essa não é a questão central.

A questão está na repetição do erro. E a sua gravidade está na absoluta incapacidade de Mário Celso Petraglia de fazer o Atlético ser mais importante para ele do que para a sua torcida.

O seu futurismo tão exaltado é uma mentira. Está aíi todo o patrimônio do clube alienado por hipoteca (CT do Caju) e por penhora (Baixada). No futebol, que exige mais inteligência do que dinheiro, Petraglia sempre é um fracasso. Por outro erro, teve que demitir técnico e diretor quando o campeonato já está indo para a metade.

O Atlético voltou à idade da pedra, porque Petraglia, sem referência, não sabe onde chegar.

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