O Vasco encheu o Maracanã com 60 mil pessoas contra o Santos. A atração não foi o seu time, que está voltando para a Segunda Divisão. Foi o valor do ingresso da sua cota de público: 2 reais. O São Paulo já havia praticado um preço insignificante. A causa não foi de ideal, foi de oportunidade, centrada no princípio de que uma torcida é capaz de decidir sozinha um jogo. Lembrei-me do doutor Petraglia, presidente do Atlético.

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Certa vez, disse que “futebol não é para pobre”. A frase de conteúdo discriminatório entrou para a história. Agora, pretendendo dar outro sentido sem o risco de discriminar, “o Atlético procura um público de qualidade e não de quantidade”. Para quem conhece o presidente atleticano, sabe que a intenção foi mantida. Apenas disfarça-a com sinônimos: pobre significa quantidade; rico, quantidade. E se intenção da frase mudou?

O doutor Petraglia estaria absolutamente certo. O valor desprezível ganha natureza de gratuito. Utilizado num esporte de intensa circulação de riqueza, como é o futebol, por qualquer motivo, devolve-o à época do pior amadorismo, que é o sem ideal. Torna promiscua a relação torcedor-futebol, já não se limitando à relação temerária com as organizadas. Às vezes, até o pobre é capaz de se envergonhar em pagar 2 reais para ver um jogo.

Decisão

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Em linguagem de arquibancada já é possível dizer que o Paraná está forçando para não voltar à Primeira Divisão. Se não fosse a coincidência dos fracassos dos concorrentes, já estaria fora da disputa. Só que coincidência no futebol não é um fato de rotina. Alguém, em um dado momento, vai ganhar quando ele perder. E aí, a recuperação será impossível.

Hoje, o Paraná joga contra a Chapecoense, na Vila. Quando entrar em campo, estará fazendo 72 horas que o Atlético deu uma aula de técnica, tática e busca incessante pela vitória. De repente, o Tricolor poderia respirar um pouco o ar deixado pelo Furacão.

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