Horário nobre

Não me utilizei da cômoda espera por resultados.

Bem por isso, no dia em que Sérgio Soares foi contratado para substituir Paulo César Carpegiani, fui logo escrevendo: o Atlético contratou um técnico de segunda.

E não mudei de opinião, não obstante à boa média de resultados, e muito menos fiquei sensível a mudá-la com o quinto lugar no Brasileiro. É que esse equilíbrio, ainda, era consequência da estrutura tática criada por Carpegiani e da sua influência pessoal, cujos efeitos continuavam irradiando no comportamento dos jogadores.

Por absoluta falta de critérios, o que no futebol implica em falta de lucidez, os responsáveis pelo futebol renovaram com Sérgio Soares.

Ontem, o técnico mostrou ter uma virtude: bom senso. Pediu para sair, porque era possível que o comando de futebol o mantivesse como treinador. O Atlético, dentro da proporção limitada pelo mercado, é o clube mais sólido – estrutural e financeiramente – do futebol no Brasil. Não depende das parcerias, que à médio prazo vão engolir clubes tradicionais.

Sendo assim, por que razão se erra tanto, se perde tanto dinheiro e tanto tempo no CT do Caju? Qual o interesse que trouxe Marcos Pimentel, Gabriel, Alê, Wescley e Henan? Seria o mesmo que trouxera Eli Sabiá, Ivan González, Thiago Santos e Nieto.

O que me surpreende são os senhores Zimermann e Adur – homens importantes na história do clube, inclusive por sacrifícios pessoais – não atacarem esses erros que eles próprios provocaram. Será por orgulho próprio de não reconhecer os erros, ou por que a experiência foi vencida pelo tempo?

O time que formaram, humilha os atleticanos. Mais grave: publicamente, no horário nobre e em sistema digital.

A saída de Sérgio Soares ameniza o problema, mas não resolve.

A permanência de Ocimar Bolicenho, pelos mais diversos motivos, atrapalha, constrange, cria um ambiente de desconfiança desde a sua entrevista ao jornal Gazeta do Povo da edição de 29 de dezembro de2010, sobre a decisão de 1987. Disse: “Até hoje é uma coisa que me emociona muito, porque houve muita corrupção naquele jogo, porque o resultado interessava ao próprio Atlético. O juiz roubou tanto que ele deu um pênalti a favor do Cascavel que a própria torcida do time da casa pediu para o jogador chutar para fora. Ele chutou e o Pinheiros foi campeão.”

E os conselheiros do Atlético estão quietos até agora.

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