O jogo da Baixada contra o Santos parecia ser uma penitência para os atleticanos: com o time mal escalado sem Walter, Bruno Motta e Nikão, os atleticanos viram Weverton defender o pênalti chutado por Ricardo Oliveira, e depois viram a sorte desviar na trave a bola que em regra Ricardo manda para as redes. E o Furacão voltou a ser disperso, atrapalhado e inseguro, e o empate em 0x0, que era uma penitência, tornou-se uma bênção.
O Furacão está perdendo as características do time autoral que foi até o jogo contra o Palmeiras: tinha princípio, meio e fim. Mas o treinador passou a confundir as estações: a troca de Gustavo por Vilches, afastando aquele inclusive do banco, a insistência em fazer de Walter apenas uma opção quando ele sempre é a solução, a humilhação a que submeteu o menino Bruno Mota ao sacá-lo no Maracanã aos 23 minutos, a inexplicável exclusão de Nikão, o melhor jogador do time, e a deslavada preferência pela alma latina dos incompletos Barrientos e Hernández, criaram desconfiança entre os jogadores. E da desconfiança, vem a insegurança, e da insegurança, os erros, em especial do passe.
O Atlético não ganhou do pouco razoável Santos porque foi diluído no vestiário sem Nikão, Walter e Bruno Mota. Perdendo a estrutura-base, esvaziou o seu contra-ataque em velocidade. Com Jadson e Douglas Coutinho voltou a usar o desespero como arma. E com desespero não se ganha.
Está na hora de Petraglia dar um pito em Milton Mendes.
Esperança
Os coxas, que faziam as contas com a ilusão, agora podem fazê-las com a esperança. A vitória (1×0) sobre o Vasco no Maracanã, mais do poder supor uma evolução técnica, pode ter efeito de petardo psicológico, que sempre é importante num ambiente de rotina, de inércia e de derrotas como regra. Mas nem em uma vitória merecida como essa os coxas podem dizer que evoluíram. O gol da vitória foi outra vez do menino Evandro, outra vez no último minuto e outra vez recebendo de bandeja a bola do adversário. Vitória com essas características é vitória produzida pelo acaso.