Os sócios do Atlético elegem hoje o presidente que vai comandar o clube até 2014, e que vai gerir até lá mais de 500 milhões de reais, em razão da construção da Baixada. De um lado, um grupo de jovens idealistas, filhos da geração Arena, comandados por Ênio Fornéa Júnior e Diogo Fadel Braz, de histórias irrepreensíveis na vida pessoal e no clube. Do outro, um grupo de antigos atleticanos, transformados em simples acessórios por Mário Celso Petraglia.
Petraglia é favorito, sugerem as circunstâncias. Se ganhar, será um retrocesso. Um deles está no fato de que o seu ânimo de administrador de um clube, cujo núcleo único é o futebol, já foi exaurido. Não se despreze que foi ele, que improvisando na gerência do futebol desde 2005, criou a tendência de queda para a Segunda Divisão. Em 2008, o time salvou-se no último jogo contra o Flamengo e Petraglia nem na Baixada quis ir. Entregou o clube com um passivo de 18 milhões de reais.
Esse motivo ganha relevância ao associar-se à motivação central, expressa por ele próprio em nota pública: só se dispôs a administrar o clube de futebol por ter receio de ser excluído por um conselho de oposição do processo da construção da Baixada para a Copa de 2014.
E, usando de uma sinceridade surpreendente, discursou aos conselheiros: “Não gosto de futebol (o que é verdade), não entendo de futebol (o que também é verdade). O que eu quero é fazer obras, para tornar esse clube grande (fato que se tornou meia verdade)”. É que havia um lado negro de “Camelot”.
A Baixada será construída com Fornéa ou com Petraglia, porque a obrigação é do poder público. Foi Ênio Fornéa Júnior, aliás, que iniciou, comandou e encerrou a equação financeira e política que obriga Município e Estado a bancarem 120 milhões de reais.
Mas com Petraglia, o clube poderá continuar lidando com dificuldades no futebol. E o passivo financeiro voltará, pois é da sua natureza de empresário realizar sem previsões concretas.
Às vezes, deuses são apenas mitos. Quebram. O Atlético precisa de homens mortais.