Homem do jogo

O treinador Renato Gaúcho foi o homem do Atletiba. Expulso por suas reações ostensivas, provocou o árbitro Héber Roberto Lopes a descarregar nele toda a carga de mágoa que armazenara contra os atleticanos. A partir da sua “vingança”, o perverso árbitro se acalmou, os atleticanos se acalmaram, e então o jogo passou a ser ambientado na tensão natural de um Atletiba.

Expulso, a arquibancada ampliou a visão de Renato Gaúcho que daí pode ver, que o Atlético perdia (1×0, Emerson, de cabeça), porque marcava muito atrás, e porque, sem referência na frente, autorizava Jéci e Emerson a avançarem.
E contra os excelentes Rafinha e Marcos Aurélio, dar espaço é pedir para sofrer. Se o Coritiba não liquidou o jogo nessa fase, foi porque a lentidão de Tcheco contraria a essência e a natureza do contra-ataque, que é a velocidade.

Corrigindo essa deficiência, o Atlético equilibrou taticamente o jogo ao ponto de neutralizar a superioridade individual dos coxas. A zaga avançou, Cléber Santana passou a ter mais a posse de bola, e a entrada de Fransérgio criou a referência que o time precisava na frente.

Ao contrário dos analistas táticos, Fransérgio não foi usado como centroavante, mas apenas como uma referência fixa para conter a zaga que avançava. Poderia ser qualquer um, desde que fosse alto e forte.
A partir de Fransérgio, mesmo ele participando pouco com a bola, o Atlético ganhou condições de criar chances. E numa delas, Edilson cobrou uma falta da esquerda, daquelas que todos sabem, vai caindo aos pedaços na área, fazendo todos perderem a noção do seu destino final, 1×1.

O analista da televisão disse que foi um “gol fortuito”. Fortuito no meu dicionário é o fato que ocorre por acaso. Se um gol de falta é produto do acaso, num futebol em que oitenta por cento dos gols são de bola parada, todos os gols seriam produto do acaso. O futebol seria um esporte dirigido pelo acaso e não pela lógica.

E, assim, o Atletiba só emocionou por ser Atletiba, a única instituição esportiva de Curitiba. Como jogo em si, foi um tédio. O melhor em campo foi Deivid. Quando quer, Héber é um bom árbitro. Quem é bom apenas quando quer, não é confiável.

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