A morte do jovem João Henrique Mendes Xavier Vianna não repercutiu como a morte de Yared. Seus pais, embora de sentimentos intensos, preferiram o silêncio. Seu avô, o grandioso jurista Ivan Xavier Vianna, se o conheço bem, dá pena de tanta dor.
Não precisava que seus pais expusessem seus sentimentos para que a morte repercutisse em toda a extensão. Não precisava de passeatas, tampouco de vigília. Nem precisava investigar, pois não há explicação para o condutor passar o sinal fechado e projetar o veículo sobre pessoas agrupadas na calçada. Nem trato da hipótese de embriaguez, como afirmou a polícia, porque se prová-la não haverá sequer a eventualidade, mas o dolo puro, porque ele existe na direção em estado anormal, furando o sinal e projetando o carro na calçada para alcançar a vítima.
Não quero fazer juízo de valor sobre culpa ou a intenção do condutor. Mas impressiona-me a omissão da crônica esportiva, que resumiu tudo em simples informação, como se fosse um acidente qualquer. Eu sei qual a razão: o condutor é torcedor do Coritiba e a vitima era atleticano. Nessas horas a covardia manda ficar quieto, para não ferir a sensibilidade clubística. Ah! Estão culpando o motorista porque a vítima é atleticana, de família tradicional, pensaram muitos dos meus colegas.
A cada vez que se pratica um crime por causa do futebol, é a mesma ladainha. O essencial é dito e repetido. Mas não se faz nada. Ou se faz: a polícia faz reunião prometendo combater as gangues, faz pacto com as torcidas organizadas, desprezando que a origem de tudo são essas que permitem a formação de segmentos formados por criminosos.
E por causa dessa hipocrisia, o crime é esquecido.
Logo haverá um outro Atletiba, e alguém, que pode até ser atleticano (entre os criminosos não existe diferença), por um motivo torpe, vai usar de um expediente para matar.
E aí a polícia se reúne com as organizadas, fazem um projeto de paz, e tudo volta a ser como antes.
Atletiba é para matar!