Herança bendita

Os gols de Guerrón, herança de Malucelli, continuam administrando este fraco time do Atlético. Empurrando-o “com a barriga”, em linguagem popular.

A vitória de 3 x 0 sobre um Cianorte, desfalcado de seis titulares, pode ter diminuído a incerteza presente, mas não a futura. E com esse time, futuro não há.

Procurava-se um lateral direito, veio Gabriel Marques. Botinudo, não executa as duas funções do ala atual: passar e cruzar. Pablo, que não serve, é menos ruim que Gabriel. Paulo Baier não sabendo jogar de volante, come espaços do meio-campo e afoga o talento de Harrison. Melhor para Carrasco, que, então, tem justificativa para tirar Harrison e colocar o seu protegido Ligüera.

O nível do time é tal que Alan Bahia pode chegar e dizer com qual camisa quer jogar.

A torcida não é boba. Sabendo que é um time de faz de conta, continua não indo à Vila Capanema. Cada dia menos. Ontem, 4 mil pagantes.

Solução

O Coritiba não perdia em Estadual havia 763 dias, 48 oito jogos. Bem por isso, pode parecer contraditório, mas não é: à derrota em Arapongas (2 x 0) não pode ser atribuído o caráter de surpresa. Ao contrário, surpresa seria se continuasse a não perder pelo que vem jogando.

Só que as deficiências individuais e táticas, definitivamente, escancaram-se. O Arapongas atacou as deficiências maiores: a falta de proteção de uma debilitada zaga, que vive de Emerson. A falha de Pereira no segundo gol não é para um zagueiro de um time há dois anos sem perder em jogos estaduais.

É possível que a derrota venha a ter uma influência positiva. Basta que os Coxas ganhem a consciência de que, à partir de um certo tempo, a invencibilidade era um disfarce que escondia um fato que ninguém queria assumir: a fraqueza do time, com a qual Marcelo Oliveira concorre diretamente.

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